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Aula

Sentei na mesa do lado de cá. Ele do lado de lá. Ele querendo aprender Inglês, eu querendo aprender a dar aula. Ele, com medo de não acompanhar o livro, eu, com medo de me perder e fazer papel de boba. Mas a coisa fluiu. Ele, melhor aluno do que se imaginava. Eu, um pouco menos pior do que eu temia.

Dá medo começar um trabalho novo!

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Língua

Aula de tradução na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP: em um grupo de cinco, temos que verter um texto originalmente em Português para o Inglês. Essa frase está muito longa, vamos colocar uns pontos finais; esse período está entrecortado, tem que trocar a ordem das informações. Calma, espera. Estamos traduzindo, não editando. Ah, é.

Expectadores. Assim, com x, mas como quem quer dizer espectadores. De tantos erros que eu poderia ter cometido – e cometi – no meu trabalho de conclusão de curso na faculdade, foi esse o que não me deixou dormir por dias. E se pensarem que eu não sei escrever? Porque eu sei. Foi a canseira de quase um ano de trabalho que causou a troca de uma letra pela outra. Quase interrompi os argüidores: vejam bem, eu sei muito bem o que é expectador e o que é espectador. Mas me contive.

Sempre tive uma queda pela Língua Portuguesa. Na escola, era uma das poucas que aturavam as aulas de Gramática. No primário, todas as minhas redações iam para a lousa, para serem copiadas pelos outros alunos. Penso mil vezes antes de escrever um texto. E, como texto, falo em tudo que vá de uma reportagem a uma mensagem para ser enviada pelo celular. E reescrevo mil vezes até considerar bom o bastante.

Outro dia, encontrei uma comunidade no Orkut com a descrição copiada de uma criada por mim. Três linhas, informações básicas. Mas escritas com tanto esmero. Pedi, por favor, que fosse trocada por qualquer outra coisa, porque, poxa, fui eu que escrevi aquilo. Sou da turma dos que entraram na faculdade de jornalismo porque gostam de escrever. E que depois descobrem que vão ter que apurar, entrevistar, decupar, transcrever… Mas tudo bem, a gente se acostuma, e pega gosto.

Nos meus livros preferidos, não estão anotadas as idéias mais marcantes, ou as passagens que mais me tocam. Mas estão grifadas as frases mais bem construídas. Aquelas que eu gostaria de ter escrito, mesmo que, em substância, queiram dizer algo extremamente banal. Não que as idéias não sejam importantes, mas é que me apaixono por qualquer trecho bem escrito.

(Esse texto foi escrito há mais de um ano, e publicado no umpoucodebossa.blogspot.com. Está sendo publicado aqui porque nunca tinha saído num blog meu.)

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Bem-Te-Vi

E se escrever não for que nem andar de bicicleta?

Há dias estava atrás de criar um blog novo. Com a cara daqueles que eu gosto de ler, e daqueles que já escrevi.

Faltava um nome.

Nos dias de muito calor, prefiro sentar para escrever no quarto dos meus pais. A janela, além de um ventinho gostoso que amansa – um pouco – o calor, também oferece uma visão privilegiada: daqui dá pra ver grande parte das zonas oeste e norte de São Paulo, além do pico do Jaraguá e da Serra da Cantareira. Em intervalos de alguns minutos, a gente também consegue ver os aviões, que passam pequenininhos, a caminho de Cumbica.

A dúvida martelando dia e noite, noite e dia. E se fosse um pedacinho de uma música dos Beatles? Ou de Caetano? Ou se eu pegasse uma frase bonita de “Cem Anos de Solidão”?

Ainda da janela, dá pra ver um terreno, que daqui pouco tempo será um condomínio de duas torres, com apartamentos de 3 e 4 dormitórios, onde fica uma mangueira, que de vez em quando dá um punhado de frutas mirradas. De algum jeito, a mangueira sobreviveu às mudanças de própósito do lugar, que já foi garagem de ônibus e estacionamento de carros antes de abrigar o atual modelo decorado.

Na pontinha de um galho da mangueira, o passarinho de peito amarelo gritou. “BEM TE VI!”

Estava decidido.

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