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Ah, mundo blogueiro…

Eu comecei a escrever em blog em 2001.

Na época, a gente escrevia sobre o dia a dia mesmo, blog era sinônimo de diário virtual. A maioria dos blogs eram escritos por meninas, mas também tinha alguns meninos. A moda era fazer os próprios layouts e mudar sempre. Eu fiz muitas amizades nesse tempo. Era assim: a gente começava a comentar um no blog do outro, depois linkava, depois adicionava no ICQ pra bater papo. Algumas amizades do mundo blogueiro eu levei pro mundo real. Em especial, eu fiz um amigo que, durante um ano ou dois, foi um dos meus melhores amigos.

Em 2006, eu abri o meu primeiro blog que tinha como objetivo escrever mesmo. E a partir daí, eu conheci muita gente interessante também. A coisa já estava um pouco mais evoluída em termos de comunicação:  foi na comunidade do Blogspot, no Orkut, que eu entrei em contato com vários blogs legais, muitos dos quais, mesmo que endereços diferentes, eu visito até hoje.

Hoje, em especial, eu vou falar de duas blogueiras muito queridas, que eu conheci nessa época dos blogs “de quem gosta de escrever”. Nenhuma das duas eu conheço pessoalmente, apesar de admirá-las muito como escritoras, e de termos muitas coisas em comum.

A primeira é a Isa, do Is-Adorable. Ela já teve pelo menos uns vinte blogs desde que eu a conheci, mas todos sempre me chamaram a atenção pelos ótimos textos, daqueles que dá vontade da gente se jogar na janela por não tê-los escrito. Eu sempre morro de inveja das histórias que a Isa consegue contar, e das sacadas que ela tem. Em resumo: se tem um blog ao qual eu pago um imenso pau, esse blog é o da Isa. Fora que eu e a Isa temos histórias que em muitos momentos são parecidas: fizemos os mesmos cursos nas mesmas faculdades, por exemplo, apesar dela ter entrado em cada um uns quatro anos depois de mim. Ah, e nós duas adoramos potchar.

Dela, vou deixar como dica esse post aqui, porque eu adoro histórias sobre palavras. Mas o blog todo é genial.

A segunda é a Nati, do Um Pouco de Bossa. Pra explicar o que é a Nati, vou pedir pra vocês fecharem os olhos e pensarem sei lá, numa nuvem de algodão doce colorido, em mil unicórnios cor-de-rosa, em um arco íris duplo depois de uma chuva de verão… Ou sei lá, na coisa mais fofa que vier na sua cabeça. Essa é a Nati. A Nati também já passou por vários blogs e até de nome já mudou, mas nunca deixou de escrever com talento e delicadeza. Nós também temos muitas coisas em comum, como o fato de termos estudado Jornalismo ou de não resistirmos a um mocinho de barba mal-feita. A Nati mora looooonge, longe, mas é tão querida que às vezes nem parece que existe toda essa distância ou que nunca nos vimos pessoalmente.

Dela, eu deixo o link para esse post aqui. Mas, de novo, vale a pena passear pelo blog inteiro.

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Língua

Aula de tradução na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP: em um grupo de cinco, temos que verter um texto originalmente em Português para o Inglês. Essa frase está muito longa, vamos colocar uns pontos finais; esse período está entrecortado, tem que trocar a ordem das informações. Calma, espera. Estamos traduzindo, não editando. Ah, é.

Expectadores. Assim, com x, mas como quem quer dizer espectadores. De tantos erros que eu poderia ter cometido – e cometi – no meu trabalho de conclusão de curso na faculdade, foi esse o que não me deixou dormir por dias. E se pensarem que eu não sei escrever? Porque eu sei. Foi a canseira de quase um ano de trabalho que causou a troca de uma letra pela outra. Quase interrompi os argüidores: vejam bem, eu sei muito bem o que é expectador e o que é espectador. Mas me contive.

Sempre tive uma queda pela Língua Portuguesa. Na escola, era uma das poucas que aturavam as aulas de Gramática. No primário, todas as minhas redações iam para a lousa, para serem copiadas pelos outros alunos. Penso mil vezes antes de escrever um texto. E, como texto, falo em tudo que vá de uma reportagem a uma mensagem para ser enviada pelo celular. E reescrevo mil vezes até considerar bom o bastante.

Outro dia, encontrei uma comunidade no Orkut com a descrição copiada de uma criada por mim. Três linhas, informações básicas. Mas escritas com tanto esmero. Pedi, por favor, que fosse trocada por qualquer outra coisa, porque, poxa, fui eu que escrevi aquilo. Sou da turma dos que entraram na faculdade de jornalismo porque gostam de escrever. E que depois descobrem que vão ter que apurar, entrevistar, decupar, transcrever… Mas tudo bem, a gente se acostuma, e pega gosto.

Nos meus livros preferidos, não estão anotadas as idéias mais marcantes, ou as passagens que mais me tocam. Mas estão grifadas as frases mais bem construídas. Aquelas que eu gostaria de ter escrito, mesmo que, em substância, queiram dizer algo extremamente banal. Não que as idéias não sejam importantes, mas é que me apaixono por qualquer trecho bem escrito.

(Esse texto foi escrito há mais de um ano, e publicado no umpoucodebossa.blogspot.com. Está sendo publicado aqui porque nunca tinha saído num blog meu.)

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