Arquivo mensal: janeiro 2012

Ah, mundo blogueiro…

Eu comecei a escrever em blog em 2001.

Na época, a gente escrevia sobre o dia a dia mesmo, blog era sinônimo de diário virtual. A maioria dos blogs eram escritos por meninas, mas também tinha alguns meninos. A moda era fazer os próprios layouts e mudar sempre. Eu fiz muitas amizades nesse tempo. Era assim: a gente começava a comentar um no blog do outro, depois linkava, depois adicionava no ICQ pra bater papo. Algumas amizades do mundo blogueiro eu levei pro mundo real. Em especial, eu fiz um amigo que, durante um ano ou dois, foi um dos meus melhores amigos.

Em 2006, eu abri o meu primeiro blog que tinha como objetivo escrever mesmo. E a partir daí, eu conheci muita gente interessante também. A coisa já estava um pouco mais evoluída em termos de comunicação:  foi na comunidade do Blogspot, no Orkut, que eu entrei em contato com vários blogs legais, muitos dos quais, mesmo que endereços diferentes, eu visito até hoje.

Hoje, em especial, eu vou falar de duas blogueiras muito queridas, que eu conheci nessa época dos blogs “de quem gosta de escrever”. Nenhuma das duas eu conheço pessoalmente, apesar de admirá-las muito como escritoras, e de termos muitas coisas em comum.

A primeira é a Isa, do Is-Adorable. Ela já teve pelo menos uns vinte blogs desde que eu a conheci, mas todos sempre me chamaram a atenção pelos ótimos textos, daqueles que dá vontade da gente se jogar na janela por não tê-los escrito. Eu sempre morro de inveja das histórias que a Isa consegue contar, e das sacadas que ela tem. Em resumo: se tem um blog ao qual eu pago um imenso pau, esse blog é o da Isa. Fora que eu e a Isa temos histórias que em muitos momentos são parecidas: fizemos os mesmos cursos nas mesmas faculdades, por exemplo, apesar dela ter entrado em cada um uns quatro anos depois de mim. Ah, e nós duas adoramos potchar.

Dela, vou deixar como dica esse post aqui, porque eu adoro histórias sobre palavras. Mas o blog todo é genial.

A segunda é a Nati, do Um Pouco de Bossa. Pra explicar o que é a Nati, vou pedir pra vocês fecharem os olhos e pensarem sei lá, numa nuvem de algodão doce colorido, em mil unicórnios cor-de-rosa, em um arco íris duplo depois de uma chuva de verão… Ou sei lá, na coisa mais fofa que vier na sua cabeça. Essa é a Nati. A Nati também já passou por vários blogs e até de nome já mudou, mas nunca deixou de escrever com talento e delicadeza. Nós também temos muitas coisas em comum, como o fato de termos estudado Jornalismo ou de não resistirmos a um mocinho de barba mal-feita. A Nati mora looooonge, longe, mas é tão querida que às vezes nem parece que existe toda essa distância ou que nunca nos vimos pessoalmente.

Dela, eu deixo o link para esse post aqui. Mas, de novo, vale a pena passear pelo blog inteiro.

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So you think you can dance…

Se tem uma teoria em que eu acredito firmemente é a de que Chico Buarque é o culpado por existir tanta gente feia por aí. É que ele passou na fila da beleza tantas, mas tantas vezes, que não sobrou nada pra mais ninguém.

Eu, antes de nascer, devo ter entrado em algumas filas e pulado outras. Na da procrastinação, por exemplo, eu só não entrei mais vezes porque eu enrolei tanto que quando fui entrar de novo, já tinha fechado. Na do talento pra escrever eu entrei algumas vezes, se bem que conheço muitas pessoas que entraram muito mais vezes do que eu. E, se tinha uma fila para dedão do pé batatudo, é fato que eu roubei o estoque todo para mim.

Uma fila em que eu com certeza entrei logo depois do Carlinhos de Jesus, da Ana Botafogo e da Scheila Carvalho foi a fila da dança.

Certeza.

Não sobrou nada pra mim.

Eu nunca soube dançar. Nunca. Até hoje quando eu assisto o VHS da minha apresentação do Jardim II, nos idos de 1989, dançando ao som de Stay, do Oingo Boingo, eu me envergonho de mim mesma. Eu giro pro lado errado, eu derrubo o pompom no chão umas duas vezes, eu começo todos os passos depois de olhar pra a minha amiga do lado pra ver o que ela estava fazendo. Não sei como minha mãe na platéia, grávida do meu irmão, não entrou em trabalho de parto de tanto constrangimento.

De lá pra cá, não dá pra dizer que a coisa melhorou muito. Eu sempre fui daquelas que ficava segurando os copos de cerveja enquanto o pessoal se acabava na pista. Eu nunca aprendi nenhuma coreografia do É o Tchan, nem do Gerasamba. Eu nem sequer consegui dominar por completo os passinhos da Macarena. Eu assisti do sofá a todas as minhas amigas imitarem com perfeição os movimentos de Everybody, dos Backstreet Boys. O máximo que eu sempre consegui foi batucar os dedos na mesa – e geralmente eu precisava estar prestando bastante atenção, se não perdia o ritmo.

Sem falar do medo de, numa ocasião dançante qualquer, ser puxada por um cavalheiro, com o argumento de que “mulher nasce sabendo” ou “pode deixar que eu te guio”. Porque, como eu já disse lá em cima, não, eu não nasci sabendo. E, francamente, guiar uma porta, eu tento então explicar para o rapaz, seria bem menos desconfortável. Mais fácil fingir um ataque severo de epilepsia que se deixar ser levada para a pista.

Até que um dia eu resolvi que ia ser a última vez que eu ia passar vergonha. Que eu iria enfrentar a situação de frente. Joguei ‘dança de salão’ no Google e me matriculei na escola que apareceu no topo da busca. O curso era para quem não conhecia nada, então tinha um mês de cada ritmo. Comecei com o samba-rock, mas eu poderia ter começado com a valsa vienense, com o tango ou com o cha cha cha, que pra mim era tudo a mesma coisa.

Chegando na escola, minha aula era depois de um grupo ultra avançado (ou, de repente, eles estavam no segundo dia do curso básico. De novo, era tudo a mesma coisa para mim). Eu gelei. Fiz menção de correr dali a passos largos algumas vezes. Mas tal era a desenvoltura daquele povo, que eu comecei a questionar a minha habilidade de sequer mexer as pernas coordenadamente, e acabei ficando.

Se me dissessem, a essa altura do campeonato, que esse casal está dançando forró, I would totally buy it.

A aula começou com o professor explicando o que era samba rock. Senti que eu deveria ter levado um caderno para fazer anotações. Daí ele ligou a música e eu quase fiz xixi de medo. Fizemos alguns passinhos olhando para o espelho. Dois pra lá, dois pra cá. Um, dois, três, um, dois, três. Quando eu estava começando a me sentir menos deselegante, ele pediu que cada moço convidasse uma moça para ser seu par. E aí, e eu estou só conjecturando, porque minha memória desse momento está bloqueada para todo o sempre, eu realmente devo ter me mijado de pavor.

Porque pensa, se é difícil fazer tudo aquilo sozinha, imagina coordenar tudo aquilo com alguém?

Mas esse é só o começo. Hoje, alguns meses, diversas aulas e muitos pisões de pé depois, posso dizer que sou uma pessoa realizada. Consigo não passar mais vergonha no samba-rock, na gafieira e no forró, mando um ou outro passinho de salsa e até merengue já dancei. (eu aprendi alguns passos básicos de zouk também, mas por alguma razão, não consigo me afeiçoar com o negócio). Não é improvável que você me encontre no Diquinta, no Canto da Ema, ou numa boca de dança qualquer por aí.

E essa é uma história de determinação, dedicação e força de vontade. Cole no seu mural do Facebook, recomende no Twitter, crie uma corrente de e-mail, envie para aqueles que passam por um momento de dificuldade.

Porque se eu consegui aprender a dançar, meu amigo, qualquer um é capaz de qualquer coisa.

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